Quadrilhas adulteram quilometragem para valorizar carros usados

Um dos carros apreendidos tinha 180 mil km rodados, mas marcava apenas 80 mil km. Em Brasília, mais de 200 mil carros foram alvos do golpe.

Atenção quando for comprar um carro usado. Quadrilhas especializadas em adulterar a quilometragem estão aumentando o valor de carros para lá de rodados. Em Brasília, mais de 200 mil carros foram alvos do golpe. Esse golpe pode ter chegado a outros estados.

Eram revendidos como carro de Brasília com poucos quilômetros rodados. Uma fraude. Um dos carros apreendidos pela polícia tinha 180 mil km rodados, mas no painel, o hodômetro marcava 80 mil. O Bom Dia Brasil ensina como não cair nesse golpe.

A pessoa compra o carro, está lá feliz da vida com o negócio.

“Comprei, transferi, não achei nada de errado, agora diz que a quilometragem foi adulterada”, disse o assistente administrativo João Pereira de Jesus.

O carro, na verdade, era muito rodado. De seminovo não tinha nada, só a quilometragem, falsa.

A Polícia de Brasília passou nove meses investigando fraudadores de hodômetro, alguns contratados pelas próprias lojas. E faziam o serviço ali mesmo. Em menos de três minutos, com equipamentos de ponta, botavam a quilometragem que queriam.

Em alguns casos, eles trocavam todo o velocímetro. Os que aparecem na reportagem estavam prontos para serem instalados.

A polícia investiga a participação de 10 lojas em Brasília. Duas já foram identificadas e 30 carros já apreendidos e periciados. Um tinha 190 mil quilômetros rodados. Foi vendido como se tivesse 80 mil. Outro saiu por R$ 55 mil, R$ 4 mil a mais do que valia pelos quilômetros de fato rodados. A polícia indiciou 45 pessoas e prendeu 19, entre fraudadores, donos de lojas e vendedores.

A polícia disse que muita gente pode estar dirigindo um carro com a quilometragem falsa sem nem saber. Uns 200 mil carros no Distrito Federal passaram pelas mãos da quadrilha de 1996 para cá, pelos cálculos dos investigadores, que descobriram que todas as adulterações foram feitas em Brasília, mas carros foram vendidos para outros estados também.

E quem desconfia que caiu no golpe, o conselho é ir atrás para ter certeza

“A vítima tem que ir atrás de seus direitos. Em primeiro lugar, tem que registrar o boletim de ocorrência, realizar a perícia e em seguida, se ela tiver interesse em buscar o seu prejuízo no juízo civil, isso é possível” explicou o delegado Victor Dan.

Até porque não tem só o prejuízo financeiro. O dono desavisado pode achar que o carro está novo e relaxar na revisão. É questão de segurança também.

E se vai comprar um carro usado, é melhor não olhar só o visor. Pode levar em loja especializada, carregar o mecânico de confiança junto, ou você mesmo vai lá e dá uma geral daquelas.

“Tem que tomar cuidado com a quilometragem que está no carro, com estado de conservação do pneu, do carro, até o estado de conservação do pedal do carro, do freio, da embreagem, do tapete, são detalhes que a gente tem de olhar para ver se realmente está batendo a quilometragem que está no hodômetro, com a qualidade que o carro está sendo analisado”, aconselhou o presidente da Agenciauto do DF, Paulo Poli.

De acordo com a polícia, os presos cometeram crimes de associação criminosa, contra a relação de consumo e estelionato. Se forem condenados, podem pegar de quatro a dez anos de prisão.

Fonte: G1