Vendas de veículos registram primeiro semestre de crescimento desde 2013

Segundo Fenabrave, juros mais baixos e redução da inflação contribuíram para o resultado

SÃO PAULO - As vendas de carros (automóveis e comerciais leves) cresceram 4,25% nos seis primeiros meses do ano, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), divulgados nesta terça-feira. É a primeira vez que o setor registra um semestre de expansão de vendas desde 2013. Para o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior, juros mais baixos e a redução da taxa de inflação contribuíram para reverter as retrações que se acumulavam nos últimos quatro anos.

"Se nós voltarmos 40 dias atrás, o índice de confiança no consumidor cresceu muito fortemente, a taxa Selic caiu, está em 10,25%, com tendência ainda de queda e a inflação, que saiu de um patamar acima dos 10%, tá abaixo da meta de 4,5%. Isso alavancou, ainda que num patamar baixo, esse crescimento no primeiro semestre".

No mês passado, foram emplacadas 189.229 mil unidades, contra 190.122 em maio. De acordo com a Fenabrave, o segmento de automóveis e comerciais leves deve dar fôlego ao setor em 2017. As projeções da entidade apontam para um avanço de 4,3%. Se considerada as outras categorias (como ônibus, caminhões e motos), a expectativa é de queda, de 1,6%. As vendas de caminhões, por exemplo, recuaram 15,6% nos seis primeiros meses do ano, com 21.461 emplacadas. Também houve recuo (7,25%) nas vendas de ônibus. Juntas, essas categorias apresentaram piora de 13,8% na comercialização de modelos. O índice de aprovação de financiamentos dos bancos ainda se mantém baixo e justifica, pelo menos em parte, os números que permanecem em patamares negativos.

Segundo o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, a confiança das instituições de crédito ainda não foi retomada com vigor e, mesmo com a redução da taxa Selic, a modalidade segue patinando. "Os bancos têm um critério, por legítima defesa deles, com relação à quem tá fornecendo crédito. E essa dependência (de credito) do nosso setor é muito forte. Eu diria, basicamente, que de cada dez veículos que precisam ser colocados no mercado, você tem uma dependência de 60% ou mais do financiamento. O que ocorre é que nós não temos ainda uma lei de retomada do bem. De cada dez fichas encaminhadas pra vender um veiculo, sete são recusadas", disse Assumpção.

AUTOMÓVEIS USADOS

As vendas de veículos usados, em todas as categorias (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros), caíram 4,82% em junho, na comparação com maio. No entanto, há uma alta expressiva em junho (9,82%), com relação a junho de 2016. Os emplacamentos também cresceram 8,6% no acumulado entre janeiro e junho de 2017, ante o mesmo período de 2016.

As concessionárias (cerca de 7,2 mil no país), de acordo com o presidente da Fenabrave, pararam de fechar as portas, movimento que atormentou o setor ao longo de 2016.

"Nós tivemos estabilização nesse primeiro semestre de 2017, de maneira muito positiva. Poderá ter um caso ou outro, mas não é uma epidemia", concluiu Alarico Assumpção Júnior.

Fonte: Globo