Carros econômicos respondem por 40% das vendas na Bahia

O carro dos sonhos da estudante de Enfermagem Andreza Guimarães não é mais aquele carrão de atrair todos os olhares quando sai da garagem. Quando chegou à loja, ela morreu de amores mesmo foi pelo modelo com um precinho acessível, que roda mais por litro de combustível e com manutenção barata.

“Se eu tivesse condições, compraria um Chevrolet Onix. Mas como não tenho condições de fazer isso agora, vendi uma moto e paguei um VW Gol à vista. Além de não ficar com dívida, ele é um carro mais econômico e as peças são mais fáceis de encontrar”.

E não foi só Andreza que levou esses fatores – preço, economia de combustível e manutenção barata - em conta na hora de adquirir um seminovo. Segundo estimativa da Associação dos Revendedores de Veículos da Bahia (Assoveba), esse é o perfil de carro que mais tem sido procurado pelos baianos.

Veículos com melhor custo benefício chegam a representar, pelo menos, 40% das vendas, como afirma o presidente da entidade, Paulo Mascarenhas. “Por conta da crise, o consumidor mudou a forma de comprar. Não é mais o carrão que ele quer, mas sim o que dá para manter”.

Segundo o último levantamento da Federação Nacional da Associação de Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), VW Gol, Fiat Uno, Fiat Palio, Chevrolet Celta e Ford  Fiesta encabeçam o ranking de preferência do consumidor baiano de usados. “É justamente este tipo de carro – econômico - que segurou as vendas do setor e fez o mercado crescer mesmo com a crise”, diz o presidente da entidade, Ilídio dos Santos.

Alta procura
Ainda de acordo com dados da Fenauto, na Bahia, o que chamou atenção foi o crescimento nas vendas de carros com até três anos de uso. No comparativo entre o mês de  julho de 2016 e 2017, a alta chegou a 15,8%. No acumulado, o aumento ficou em 17,9%. Enquanto isso, o acréscimo em junho e julho deste ano foi de 9,1%.   

“Paralelo a esse crescimento, nos últimos dois anos e meio quase três milhões de carros novos deixaram de vir para o mercado. Isso pode fazer com que daqui a mais ou menos dois anos falte carro com três anos de uso por conta desta dificuldade econômica que afetou no período a venda de novos”. Em todo país, foram comercializados 1.250.258 de veículos seminovos e usados no mês de julho, contra 1.211.564 (junho). O índice de vendas acumuladas nesse primeiro semestre de 2017, para essa categoria, chegou a 23,7%.

Nas lojas de seminovos e usados, a quilometragem rodada mais procurada está na faixa de 25 a 30 mil km. Para o proprietário da Auto Sard Veículos, Naldo Sardinha, outro fator que tem interferido na escolha é o tempo de garantia das montadoras. “Isso tem sido um influenciador muito grande. Hoje, o cliente pensa bem mais antes de comprar e evita escolher por impulso, pondera todos os pontos positivos e leva um bom tempo pesquisando a melhor opção, barganhando um bom desconto”.

Na hora de adquirir um veículo seminovo, vale ficar atento à procedência do veículo e a todos os detalhes referentes ao estado físico e mecânico do carro, como aconselha o gerente de vendas da unidade da Paralela da Pinheiro Veículos, Tiago Lima.

“É preciso verificar com atenção se aquele carro está mesmo em bom estado. Veículos com quilometragem baixa têm venda certa. Estava com três clientes disputando o mesmo veículo por conta disso. Tem carro que a gente considera ‘semizero’, que vem até com cheiro de novo ainda”.

Dicas para comprar um bom seminovo
Novo x usado Compare detalhadamente o automóvel usado com seu equivalente zero quilômetro. Verifique as características e analise com atenção os desgastes que o carro sofreu.

Conservação  Confira o estado da carroceria em um ambiente iluminado e com o carro limpo. Isso vai impedir que você passe despercebido por algumas imperfeições que ficam escondidas, ainda mais se a cor do carro for escura. Ao abrir a tampa do porta-malas, cheque o estado do estepe e sua base.

Marcas de uso  Amassados leves e raspadas nas rodas e para-choques, dependendo da dimensão destas imperfeições podem ser um bom motivo para barganhar um preço melhor e pedir um desconto, contanto que não comprometam o estado de conservação do carro.

Documentação Verifique se as numerações de chassi (nos vidros, no batente das portas e no cofre do motor) são iguais às presentes no Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV). Se em algum destes pontos não houver marcação é grande a possibilidade de a área ter sido reparada. Se o código não bater, o problema pode ser ainda maior: o carro pode ter sido "clonado" (um veículo usa documentos pertencentes a outro de mesmo modelo e cor). Por isso, verifique em órgãos de trânsito se o carro foi roubado ou possui multas e pendências judiciais.

Painel e revisões  Desconfie da quilometragem do hodômetro, caso os itens que têm contato direto com o motorista (aro do volante, pedais, maçanetas, alavanca de câmbio e estofado dos bancos) estejam muito desgastados. Confira também se os carimbos no manual do proprietário e os selos de revisão e troca de óleo são compatíveis com a marcação do carro. Observe também se as luzes do painel (óleo, airbag, injeção, bateria, por exemplo) indicam algum tipo de anomalia.

Fonte: Correio24Horas