Seminovos: Locadoras movimentam R$ 2,5 bilhões – Usados têm alta 3,1% em julho

O mercado de seminovos está dando um ótimo resultado para as principais locadoras de automóveis do país. As três principais empresas do setor conseguiram nada menos que R$ 2,559 bilhões com a venda de veículos de frota de aluguel. O negócio já é a principal fonte de renda dessas empresas.

Só a Localiza teve alta de 16,6% no primeiro semestre ante o resultado de 2016, tendo uma frota total de 151.750 carros e faturamento de R$ 1,526 bilhão enquanto o locação de veículos representou R$ 1,159 bilhão. A empresa até adquiriu a Hertz no Brasil, fechando o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 249,5 milhões e até atraindo a atenção de um fundo americano, que adquiriu 5,26% das ações da companhia. Lembrando que, nos EUA, o setor está em declínio.

Já a Movida teve crescimento de 45,3% nas vendas de seminovos no mesmo período, faturando R$ 716 milhões e lucrando R$ 486,5 milhões. O mesmo crescimento nas vendas foi verificado na concorrente Unidas que, no entanto, faturou R$ 413,8 milhões com o negócio e teve mais R$ 357 milhões com o aluguel de automóveis. A aposta da empresa foi nos feirões de veículos usados, a fim de ampliar sua participação nesse mercado.

Nas vendas de carros novos no primeiro semestre, as locadoras adquiriram 194.099 unidades, que representaram 23% do total. As vendas diretas no mesmo período subiram 27% em relação ao mesmo período de 2016. No varejo, as vendas recuaram 8,5%.
Mercado de usados

Na primeira meta de 2017, as vendas de carros usados subiram 9,89% com a comercialização de  5.070.460 automóveis e comerciais leves. As marcas mais negociadas foram Volkswagen, Chevrolet e Fiat com 22,11%, 20,98% e 20,46%, seguidas de Ford e Renault com 10,09% e 4,43%, respectivamente.

No mês de julho, apesar da queda nos negócios em junho, as vendas voltaram ao patamar de maio com 947.211 unidades, alta de 3,10% sobre o mês anterior. No acumulado do ano, o setor cresceu 9,0% em 2017. O mês passado também foi melhor se comparado com o mesmo período de 2016, elevando os números em 4,46%. De janeiro a julho, o Brasil consumiu  6.017.671 de automóveis e comerciais leves usados.

Volkswagen, Fiat e Chevrolet foram as mais negociadas no mercado de usados com 21,99%, 21,11% e 20,45%, respectivamente. Ford e Renault ficaram com 10,12% e 4,47%. No acumulado do ano, a VW continua a preferida no mercado de usados, seguida pelas demais citadas. Entre os automóveis usados, o mais procurado é o Gol, seguido de Uno e Palio. Clássico, o Fusca ficou em 24º lugar. Líder entre os novos, o Onix só aparece em 17% no mês de julho. A Strada domina o mercado de segunda mão e a longeva Kombi ficou na sexta posição no mês passado.
Tudo o que você precisa saber antes de comprar um seminovo

Veja as dicas dos consultores automotivos e acerte na escolha
Comprar um carro que já passou pelas mãos de outro motorista pode ser vantajoso, já que o automóvel zero quilômetro chega a sofrer até 15% de depreciação no momento em que é retirado do pátio da concessionária. Porém, a maior desvalorização costuma acontecer nos primeiros três anos de vida do veículo.

Não é preciso ser um expert em contas para perceber que optar por seminovo pode ser uma excelente escolha, principalmente em tempos de crise. No entanto, é preciso redobrar os cuidados para não transformar o sonho do seminovo em pesadelo.
Segundo o consultor automotivo André Bertoldi Reiter, do site Especialista em Carros, é essencial conhecer a procedência do veículo e saber a história do carro. “Se o antigo dono foi desleixado com a manutenção, certamente as consequências ficarão por sua conta”, alerta.

Na opinião do personal car, Rafael Salari Spitaletti, é importante estudar o mercado do veículo e fazer uma pesquisa de preços. “O próximo passo é analisar possíveis atualizações do veículo no curto e médio prazo. Depois, vale a pena filtrar as melhores opções e não sair procurando um veículo sem foco. Faça um test drive e sujeite o veículo a avaliações técnicas em funilarias e oficinas. Por fim, só transfira 100% do valor de venda após o documento único de transferência estar preenchido e com firma do vendedor reconhecida em cartório”, orienta.

Se nos veículos novos é comum fazer test drive, com usados não é diferente. “Somente rodando você poderá ouvir barulhos provenientes da suspensão, avaliar o  desempenho do motor, sentir se a direção puxa para algum lado ao soltar o volante em piso plano e vibrações no pedal de freio e volante provenientes de uma roda empenada, assim como averiguar o funcionamento dos freios”, explica André Reiter.

Rafael Spitaletti também destaca o test drive: “É importante para ter a convicção de que o veículo atende às suas expectativas, o que inclui posição ao dirigir, ergonomia dos comandos, resposta dos pedais, funcionamento do câmbio, desempenho do motor, entre outras. Além de ser essencial para identificar ruídos, barulhos, defeitos mecânicos e vícios ocultos”.

Checklist obrigatório
O estado de conservação da pintura e do interior podem dar pistas de como o carro foi tratado. “É importante saber distinguir um carro que levou um banho de loja daquele que já chegou impecável para ser vendido, pois o primeiro certamente esconderá de olhos não treinados os descuidos cometidos pelo dono anterior”, comenta André Reiter.

Quem não entende tanto de carro deve procurar levar um mecânico de confiança ou por um consultor automotivo que possa avaliar aspectos mais técnicos que passam despercebidos pelos olhos do motorista comum.

Segundo Rafael Spitaletti, o comprador deve ficar atento ao histórico de manutenções (preferencialmente com nota fiscal); observar o estado dos pneus para verificar se a data de fabricação condiz com a quilometragem exposta no odômetro; checar a presença de estepe, chave de roda, triângulo e macaco; analisar o desgaste do estofamento, volante e pedais para ver se condiz com a quilometragem exposta no odômetro; analisar se o motor apresenta vestígios de vazamento de óleo, água e fluídos; e por fim observar se a pintura e funilaria estão com aspecto original.

Descubra se o veículo já foi batido
Alguns detalhes podem revelar que o veículo já foi batido, como parafusos com marcas de chave (esfolados), pintura sem aspecto original e falta de alinhamento de peças. “Se o serviço foi mal feito você percebe facilmente observando diferenças de tonalidade da cor ou na textura do verniz, que dificilmente chega perto daquela feita pelos robôs da linha de montagem. Porém, se o serviço foi bem feito para se ter certeza que a pintura é original somente com uma caneta que mede a espessura da tinta. Uma pintura de fábrica tem entre 90 e 130 mícrons”, explica André Reiter.

Se o veículo estiver com um odor diferente e tapeçaria alterada, desconfie que pode ter passado por uma enchente.

Fonte: NoticiasAutomotivas