Presença dos consórcios nos negócios de automóveis seminovos quase triplica em oito anos

Participação do mecanismo nas vendas a prazo de motos seminovas cresce 17% no período

Dados recentes divulgados pela B3 mostram que o Sistema de Consórcios ampliou significativamente sua presença na comercialização de autos seminovos nos cinco primeiros meses de 2018, quando comparada ao mesmo período de 2011. O total de utilização de créditos oriundos de contemplações no ano base (jan-mai/2018) atingiu 130,5 mil, quase o triplo sobre os 46,8 mil (jan-mai/2011).

Paralelamente, no setor das duas rodas a evolução foi de 17% na relação dos mesmos períodos. De janeiro a maio de 2011, o acumulado era de 10 mil motocicletas seminovas, enquanto sete anos depois alcançou 11,7 mil (jan-mai/2018).

No mercado de veículos automotores em geral (leves, pesados e motos), que conta atualmente com 6,05 milhões de consorciados ativos, observa-se uma mudança de comportamento do consorciado após a contemplação por sorteio ou por lance: a crescente procura por bens seminovos contra a decrescente utilização dos créditos nos chamados ‘zero km’.

“A razão dessa tendência está na maximização do crédito para aquisição de modelos de veículos ou motos com poucos anos de uso e com maior valor agregado em função da liberdade de escolha proporcionada pelo consórcio”, diz Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios.
Para a Fenauto - Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores, de janeiro a maio deste ano, apesar de o mercado de vendas de veículos seminovos ter apresentado forte queda em relação ao ano passado, houve leve reação no maio sobre o mês anterior (abril). Com total de 253,1 mil unidades comercializadas, a alta foi de 3,5% no comparativo com as 244,5 mil vendidas um mês antes.
Ainda com dados divulgados pela B3 sobre os resultados dos cinco primeiros meses do ano, pode-se observar a evolução da participação média mensal do consórcio nos volumes gerais acontecidos nos últimos anos, no setor de automóveis.

Enquanto em 2011 a participação era de 49,8% nos seminovos, até maio de 2018 chegou a 74,7%, registrando crescimento de 24,9 pontos percentuais. Simultaneamente, nos veículos ‘zero’ houve retração de 50,2% (2011) para 25,3% (até maio/2018). Isto corresponde a compra de quase três veículos seminovos ou usados a cada quatro adquiridos por meio de créditos concedidos por contemplações no Sistema de Consórcios.

Segundo Rossi, “entre as diversas características do Sistema, a liberdade de escolha que o consorciado detém quando é contemplado, possibilita a realização do objetivo com maior flexibilidade.  Ao ser informado de que o crédito está disponível para compra, por exemplo do carro zero, o consorciado tem a possibilidade de optar pelo bem desejado inicialmente quando da adesão ou decidir por outro modelo como um seminovo mais equipado. ”

No Sistema de Consórcios, existem ainda outras vantagens como custo final menor, prazos maiores, parcelas acessíveis e até mesmo a utilização de até 10% do valor do crédito para pagamento, de despesas com tributos, transferência de propriedade (documentação) e seguro. “Um consorciado contemplado tem o poder de comprar à vista, idêntico àquele comprador que dispõe de dinheiro no bolso, uma situação que lhe permite decidir pelo que mais lhe convier, inclusive com capacidade de barganhar e obter descontos na negociação”, completa Rossi.

Após o advento da crise econômica, pode-se verificar um perfil de consumidor mais consciente sobre como administrar suas finanças pessoais, comportamento que o faz considerar primeiro mais atenção a seu orçamento e às suas necessidades individuais ou familiares, assumindo novos compromissos com mais responsabilidade, considerando a essência da Educação Financeira.

No mercado das duas rodas comercializadas a prazo, o cenário dos mesmos oito anos é bastante semelhante, todavia em escala menor e em escala inversa. De acordo com os resultados levantados pela B3, a evolução da participação média mensal dos consórcios na aquisição de motocicletas seminovas que era de 5,1% em 2011, cresceu para 10,1% até maio último, quase o dobro do percentual. Concomitantemente, nas chamadas ‘motos zero km’, foi assinalada pequena redução. A retração foi de 94,9% (2011) para 89,9% (até maio/2018).


 

MAIOR PRESENÇA DOS CONSÓRCIOS NOS NEGÓCIOS A PRAZO

Ao longo de pouco mais de sete anos, de 2011 até maio de 2018, observou-se um aumento de interesse do consumidor em adquirir automóveis novos ou seminovos por consórcio, negócios que vêm gerando ampliação da presença do mecanismo no total das vendas parceladas.

Em 2011, a participação da modalidade entre os chamados automóveis ‘zero km’ era de 5,94%. No final dos cinco primeiros meses deste ano, anotou 8,74%, com crescimento de 2,8 pontos percentuais.

Nos carros seminovos, a presença que era 3,68% em 2011, evoluiu pouco mais de 2,5 vezes e obteve 10,06%, até maio de 2018, provocando alta de 6,38 pontos percentuais.

O mesmo desempenho ocorreu no mercado de motocicletas e motonetas novas e seminovas: nas motos ‘zero’, em 2011 havia 29,96% de negócios realizados com consórcios, enquanto em maio chegou a 39,52%, uma alta de 9,56 pontos.

Entre as seminovas ou usadas, em 2011 o percentual era de 12,45%, enquanto no quinto mês deste ano, chegou a 20,04%, uma diferença positiva de 7,59 pontos percentuais.