Revendedores de veículos lamentam proibição até mesmo de vendas online em Porto Alegre

Decreto na Capital retira permissão para o comércio e paralisa negócios por 15 dias
Lojas estão fechadas na Capital e com os salões cheios

O novo decreto da prefeitura de Porto Alegre com medidas para restringir a circulação de pessoas e atenuar o avanço do coronavírus paralisou a venda de carros novos e usados. Nesta terça-feira (7), quando o texto entrou em vigor, o comércio de veículos deixou a lista de atividades permitidas na Capital. Até então, o setor tinha permissão apenas para negociar pela internet e receber o cliente na loja para a retirada da compra. 

Nas revendas a cidade, o cenário no primeiro dia de restrição era de salões repletos de automóveis, luzes apagadas e sem movimento de funcionários. Apenas os setores de serviços de manutenção e consertos dos estabelecimentos permanecem abertos neste momento.  

Publicado no início desta semana, o texto com as novas regras em vigor na Capital revogou o trecho do decreto 20.625, de junho, que possibilitava a negociação online com posterior entrega presencial. A prefeitura estima que a restrição deve valer, pelo menos, por 15 dias. 

O presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado (Sincodiv-RS), Paulo Ricardo Siqueira, calcula que a medida afeta cerca de cem concessionárias porto-alegrenses e poderia afetar a comercialização de 10 mil carros se perdurar por um mês.

— Há pouco mais de um mês nos foi acenada a possibilidade de uma retomada, parecia que as coisas iam andar. Agora, fomos surpreendidos com o fechamento, sem nenhum aviso e sem nenhum critério — avalia Siqueira. 

O dirigente constata que as vendas de carros novos caíram pela metade em razão da pandemia, mas vinham esboçando reação a partir de maio, quando a atividade foi retomada na Capital. A nova parada vem em um momento no qual as concessionárias já utilizaram medidas como férias coletivas e a medida provisória 936, que possibilitava a suspensão dos contratos de trabalho e a redução da jornada. Atualmente, a atividade emprega 4 mil pessoas em Porto Alegre. 

No mercado de carros usados, a medida também foi recebida com surpresa. Na avaliação do presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado (Agenciauto-RS), Rodrigo Dotto, a prefeitura da Capital "exagerou" na restrição. Ele lembra que mesmo nas cidades com bandeira vermelha, dentro do modelo de distanciamento controlado do governo do Estado, a atividade é permitida, com 25% da capacidade operacional.  

— O setor acaba sendo uma solução financeira para muitas famílias durante a pandemia, que nos buscam para vender os carros ou então trocar por um mais barato — destaca Dotto.  

Segundo o dirigente, a orientação é para os lojistas da Capital procurarem manter contato com os clientes para tentar fechar os negócios após o fim das restrições.  O setor conta com 465 empresas e gera em torno de 2,3 mil empregos na cidade. 

Prefeitura alega que evitou abrir exceções
O secretário extraordinário de Enfrentamento do Coronavírus de Porto Alegre, Bruno Miragem, lembra que o decreto em vigor decidiu colocar a cidade em um nível de restrições semelhante ao verificado no início da pandemia, em março. Por isso, a opção foi por retirar as exceções abertas a determinados setores da economia nos últimos meses, caso das concessionárias e revendas de veículos. A possibilidade da venda online com entrega presencial era uma sugestão do próprio setor que havia sido acatada pela prefeitura. 

— Pelo prazo curto, de 15 dias, em que devem vigorar as regras, definimos que não deveríamos abrir exceções. É justamente para termos a maior restrição possível à circulação de pessoas dentro desse período. Isso é o que justifica a revogação (da autorização para o comércio de veículos) — argumenta. 

Na avaliação de Miragem, nada impede que as lojas negociem online com os clientes, desde que efetuem o negócio após o término das restrições. No entanto, dirigentes do setor entendem que, ao revogar o trecho do texto que permitia o comércio de veículos exclusivamente de forma virtual, a prefeitura impossibilita qualquer tipo de venda no atual contexto. Nesse sentido, o presidente do Sincodiv-RS lembra que as empresas estão impossibilitadas de emitir nota fiscal enquanto perdurar o decreto. 

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