Venda de seminovos no Ceará cresce 42% e retoma patamar pré-crise

Receio do contágio por coronavírus e um cenário econômico que ainda provoca certa desconfiança são fatores que têm ajudado a impulsionar o mercado de veículos que já passaram por um primeiro proprietário
Após a pandemia ter impactado as vendas de veículos, o setor, no Ceará, conseguiu retornar ao patamar anterior ao início da crise sanitária. No segmento de seminovos, as vendas até superaram os resultados dos meses que precederam a paralisação das atividades. Em setembro, os registros de transferência de seminovos apresentaram alta de 42,1% ante igual período de 2019.

Os dados da Federação Nacional de Veículos Automotores (Fenauto) e do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) foram repassados pelo Sindicato dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Ceará (Sindvel-CE) e consideram as categorias auto, comercial leve (como pick-ups pequenas), comercial pesado (caminhões), motos e outros tipos de veículos. No mês passado, foram 45,7 mil transferências efetuadas contra 32,2 mil em setembro do ano passado.

Apesar dos números serem influenciados pelas operações que ficaram represadas no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) em decorrência da paralisação das atividades do órgão, o presidente do Sindvel, Everton Fernandes, pontua que, de fato, o segmento conseguiu não só se recuperar, como superar o nível de vendas do momento pré-pandemia. Segundo ele, alguns fatores foram determinantes para esse movimento positivo.

Fernandes lembra que o segundo semestre já é sazonalmente melhor que o primeiro em termos de vendas de veículos seminovos. Mas o medo de se expor ao coronavírus em transportes compartilhados ou coletivos, como ônibus, por exemplo, tem levado o cearense a buscar ter o próprio carro, revertendo um movimento que era observado no período pré-pandemia, de acordo com Fernandes.

"Antes da pandemia, as pessoas vinham até se desfazendo de seus veículos para utilizar o transporte compartilhado. Nós percebemos que essas pessoas voltaram a ter seus carros próprios porque elas não querem correr o risco, não querem se expor ao vírus", detalha o presidente do Sindvel. Ele também lembra que os juros mais baixos, que favorece os financiamentos, têm contribuído para que os números fossem alavancados em setembro.

"Nós tivemos, durante o período de pandemia, uma restrição maior quanto aos financiamentos. Os bancos já estão voltando a ser um pouco mais flexíveis, os agentes financeiros percebem que o risco já não está mais tão elevado. Eles ainda estão cautelosos, mas não tanto quanto no início da pandemia, portanto a quantidade de carros financiados aumentou", justifica Everton Fernandes.

De acordo com os dados da Fenauto e do Denatran, a categoria auto apresentou 21,5 mil transferências em setembro, crescimento de 32,5% na comparação com igual período do ano passado e de 16,7% ante agosto deste ano. Em termos relativos, o avanço mais significativo foi observado na categoria das motos, com crescimento de 59% em setembro deste ano (18,4 mil) na comparação com setembro de 2019 (11,6 mil transferências).

Sazonalidade

Além dos motivos citados, o presidente do Sindvel-CE lembra que o segundo semestre é sazonalmente melhor que o primeiro em vendas e que, em momentos de crise, o segmento de seminovos historicamente sai na frente em relação à venda de veículos novos.

"O mercado de seminovos, quando a economia está em crise, tende a crescer porque as pessoas tendem a priorizar os carros seminovos no lugar do veículo novo", detalha ele.

O reaquecimento do setor levou à recomposição dos empregos que haviam sido fechados durante a pandemia, mas por outro lado tem provocado uma elevação nos preços dos veículos seminovos. Isso porque algumas tipologias estão sem estoque no mercado, reduzindo a oferta diante de uma demanda alta.

"Com a redução dos estoques e crescimento da demanda, os preços sobem um pouco. Lógico que o seminovo tem sempre um limite, que é o próprio preço do carro novo. Nós devemos ter, na média, uma elevação de 6% a 7% nos preços dos carros. Os mais antigos tendem a apresentar uma elevação maior", explica Fernandes. O estoque, hoje, está em cerca de 70% do que seria ideal, de acordo com ele.

Sobre os seminovos mais escassos no mercado atualmente, o presidente do Sindvel-CE afirma que a pouca oferta tem atingido o segmento como um todo. "Todos estão em falta, mas os seminovos de R$ 30 mil a R$ 50 mil estão bem escassos. A grande maioria é nessa faixa. Também temos percebido uma demanda muito forte por SUVs, mas com pouca oferta", detalha ele.

De acordo com os dados da Fenauto e do Denatran, os modelos Gol, Palio, Uno, Corolla e Celta foram os cinco seminovos mais vendidos em setembro deste ano. Considerando apenas os veículos os comerciais leves, a lista é encabeçada por Hilux, Strada, S10, Saveiro e L200.

Everton Fernandes explica que a falta no segmento de seminovos é reflexo de uma escassez também observada entre os veículos novos devido à falta de disponibilidade de algumas peças nesse mercado.

De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) sobre vendas de veículos novos no Ceará, os emplacamentos na categoria auto somaram 4,3 mil em setembro, o que representa alta de 7,7% na comparação com igual período de 2019 e de 17,1% na comparação com agosto deste ano. Na categoria comercial leve no Estado do Ceará, foram efetuados 876 emplacamentos no mês passado, apontando um crescimento de 30,9% na comparação com agosto deste ano e avanço de 26,7% em relação a igual período do ano passado.

Considerando todas as categorias acompanhadas pela Fenabrave, o número de emplacamentos no mês de setembro totalizou 11,7 mil. O dado indicou uma alta de 11,4% ante igual período de 2019 e de 7,1% na comparação com agosto deste ano.

Queda irreversível

Apesar dos números de setembro e de agosto terem sido positivos, os resultados não são o suficiente para reverter as quedas no acumulado do ano. No setor de seminovos, as transferências caíram 32,1% (187,3 mil em 2020 contra 276 mil em 2019). Na categoria auto houve baixa de 35,6%. A estimativa é que o segmento termine o ano ainda em queda, segundo o presidente do Sindvel-CE.

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