Carros usados: mercado se reinventa na pandemia, mas deve fechar 2020 ainda com retração

Setor perdeu cerca de três mil lojas e números podem cair de 10% a 12% em relação ao ano passado
Se o mercado de usados em 2020 fosse um brinquedo de parque de diversão, com certeza seria uma montanha-russa. O setor que movimentou cerca de um milhão de veículos mensais (carros, comerciais leves e motocicletas) no 1º trimestre viu esse número minguar 80% e fechar abril com 200 mil unidades – pior mês disparado – devido à pandemia.

Lojas fechadas, Detrans inativos, financeiras preocupadas com o crédito e potenciais clientes dentro casa formaram o cenário desastroso. “Em fevereiro estávamos vendendo em torno de 60 mil carros por dia. Depois esse número caiu para seis, oito mil. Uma queda violentíssima”, diz Ilídio dos Santos, presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), que tem mais de 48.500 afiliados. Ainda nesse período, 5% das lojas – cerca de três mil – fecharam as portas.

Com a retomada gradual, do funcionamento dos órgãos públicos e o relaxamento da quarentena, o mercado voltou a crescer e superar o patamar pré-Covid 19. Entretanto, o saldo de 2020 deve ser de retração segundo o executivo. “Por causa do 13º salário, novembro e dezembro sempre incrementam mais os negócios. Apesar de estarmos com uma defasagem grande, se continuar essa situação de crescimento, esperamos fechar com queda de 10% a 12% em relação a 2019”, projeta. Ano passado o setor movimentou 14,5 milhões de veículos.

Com a orientação de distanciamento, de evitar aglomerações e ambientes fechados, o transporte público e carros por aplicativos passaram a ser grandes vilões. Esse movimento, por sua vez, ajudou a alavancar os veículos usados – principalmente os mais baratos e mais veteranos.

“Os carros que ganharam força nesse período foram os com quatro a nove anos e também os acima de 12 anos. Ou seja, a pessoa comprou um veículo para o seu transporte próprio ou para transportar a família com segurança”, afirma o presidente da Fenauto.

E como os lojistas sobreviveram durante esse período de crise? “Aqueles que se preparam digitalmente venderam pouco, mas conseguiram alguma coisa. Passaram a usar mais a tecnologia, fazer vídeo e imagens mais profissionais do carro anunciado, levaram o carro na casa do cliente para verificação e os grandes sites deste tipo de veículo também iniciaram um esquema de delivery”, explica Ilídio dos Santos.

Tempo de uso
Veja a idade dos veículos mais negociados
Seminovos (0 a 3 anos): 15,25 %Usados Jovens (4 a 8 anos): 34,49 %Usados Maduros (9 a 12 anos): 23,43 %Velhinhos (13 anos ou mais): 26,83 %
Fonte: Fenauto
Para 2021, a Fenauto é cautelosa e evita fazer projeções, porém a expectativa do executivo é continuar com a recuperação que se iniciou já em julho de 2020. Só que o mercado pode entrar novamente no parque de diversão em função das incertezas do cenário com uma possível nova onda do coronavírus, retrocesso das medidas de afrouxamento de distanciamento e fechamento de comércio. A montanha-russa pode voltar a funcionar.

Carros mais vendidos

1º) VW GOL
2º) FIAT UNO
3º) FIAT PALIO
4º) FORD FIESTA
5º) CHEVROLET CELTA
Fonte: Fenauto

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