Bahia tem melhor desempenho em vendas de veículos usados e seminovos

Em um ano completamente atípico, o segmento de veículos usados e seminovos continua aquecido. Na Bahia, no consolidado até novembro, o volume de vendas já havia ultrapassado o mesmo período de 2019, com alta de 4,2%: 403.102 ante 386.714 unidades – de todo o mercado. Os destaques são as motos (aumento de 18,1% nas vendas), comerciais pesados (6,2%) e comerciais leves (1,3%).

Para se ter ideia de o quanto as vendas são regionalizadas, apenas a Bahia cresceu no acumulado do ano no Nordeste. Todos os demais estados tiveram redução de vendas em 2020 em relação a 2019. A pior situação é o Piauí, com queda de -38,4% nas vendas, seguido por Rio Grande do Norte (-32,5%) e Alagoas (-24,6%).

Entre os segmentos de usados, modelos com mais de 13 anos (velhinhos) tiveram o melhor desempenho na Bahia: alta de 28,2%. Os chamados usados maduros (9 a 12 anos) também venderam bem neste ano, com aumento de 23,1%. Os seminovos até 3 anos ficaram estáveis (0,1%) e apenas os usados jovens (4 a 8 anos) caíram -9,8%.

“O mercado está aquecido e com dificuldade para repor estoque”, afirma Ari Pinheiro Junior, presidente da Assoveba. Essa escassez reflete nos preços, que segundo Pinheiro estão altos, por causa da falta de mercadoria.

A precificação, diz o presidente da Assoveba, é baseada em qualidade, quilometragem e valor de mercado. E a compra pode ser feita online, pelo site www.seminovogarantido.com.br, que reúne seminovos de lojas associadas à entidade.

Os modelos mais vendidos, curiosamente, seguem o ranking de veículos novos: Chevrolet Onix, Ford Ka e Hyundai HB20. A expectativa é boa para este novo ano. “Acredito que vai continuar nessa mesma agitação, vendendo bem e o mercado se regularizando com as mercadorias”, conclui Pinheiro Junior.

Lei da oferta e da procura

“Se achar o carro que está procurando, não pode perder tempo. Tem que chegar e arrematar, tomando sempre todos os cuidados pertinentes à compra de um usado. Compra segura, com laudo cautelar e em lojas de credibilidade”, sugere Diego Cova, proprietário da DG Seminovos, do Auto Shopping Itapoan.

De acordo com Cova, os veículos estão mais caros. “Isso se deve à falta de mercadoria. O que não quer dizer que não se façam bons negócios. Quem tem carro para dar como forma de pagamento também está surfando a alta de preço e compensa, se tiver uma boa avaliação. Existem casos em que se paga até o valor de tabela Fipe no usado na troca.”

Por causa da flutuação de mercado, ele diz que não está fácil precificar. “A tabela Fipe ajuda, mas diversos carros têm sido vendidos com valores superiores. No mercado do momento, não se assuste com valores acima da tabela Fipe. É a lei da procura e da oferta”, esclarece o lojista.

Ford Ka segue entre os mais valorizadosFord Ka segue entre os mais valorizados
A negociação pode ser toda feita online, e também no ponto de venda, com todos os protocolos de segurança. “Além disso, é interessante que se faça o test drive, para não ter arrependimento após a compra”, sugere o dono da DG Seminovos. “O mercado vai se reajustar à medida em que as montadoras regularizarem a produção de mercadorias. Acredito que só tenhamos um mercado mais regular a partir do meio do ano que vem”, avalia Cova.

Já para Carlos Cordeiro Tanajura Neto, dono da loja RC Multimarcas no Auto Shopping Rodrigues, o mercado reaqueceu agora em meados de dezembro. “Os preços estão altos, acima da tabela. Uma coisa está levando a outra: a gente paga bem e vende bem, porque não tem carro zero nas concessionárias. Dos novos, o que tem parte de R$ 48 mil. Aí um Onix 2019 que a gente vendia a R$ 35 mil agora acompanha o zero, e aí vendemos por R$ 40 mil”, explica o lojista, que observa que não ocorre com todos os veículos. “Depende muito do mercado dele.”

As vendas podem ser online, mas Neto prefere que o cliente venha à loja ver o veículo. “Não dá para ter um seminovo 100% perfeito, sem arranhão, por mais que a gente tente passar para o cliente. Mas a parte burocrática, financiamento, transferência dá para fazer 90% online”, diz o dono da RC Multimarcas, loja que tem mais procura por carros na faixa de R$ 40 mil. Assim como Pinheiro Junior, os que mais vende são Onix, Ka e HB20.

Preço do HB20 usado é similar ao zeroPreço do HB20 usado é similar ao zero
Preços 10% mais altos

Com o mercado aquecido, as concessionárias estão girando os estoques em mais de duas vezes ao mês, de acordo com Geraldo Victorazzo, diretor comercial da Auto Avaliar, plataforma especializada na compra e venda de veículos. “Já a falta de carro acontece em algumas marcas premium e nos modelos de maior giro, com prazos de entrega acima de 45 dias.” Em sua avaliação, os preços estão subindo a cada mês. Nesse segundo semestre, o aumento médio foi acima de 10%.

“Hoje a maioria das negociações acontece no ambiente online. Se a pessoa optar por vender seu veículo diretamente a um consumidor final, a qualidade do anúncio é essencial para o êxito dessa negociação, fotos bem tiradas e uma descrição que reflita a realidade do carro contribuem para uma boa venda”, diz Victorazzo.

Se for vender a uma loja, ele sugere pesquisar para fazer o melhor negócio. “Concessionárias com boa gestão no departamento de seminovos normalmente têm mais apetite para pagar pelo veículo. Eu indico a tabela.autoavaliar.com.br, é a única tabela transacional do mercado e vai lhe mostrar o real preço de mercado do seu automóvel.”

A expectativa para 2021 é positiva para a Auto Avaliar. “Projetamos um crescimento acima de 20% nas vendas comparado a 2020. O ano promete!”, completa Victorazzo.

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