Com impacto da pandemia, venda de carros cai 27,6% no RS em 2020

Apesar da baixa anual, setor engatou oito altas mensais consecutivas. Para 2021, projeção de retomada da economia indica melhora nos negócios

Em um ano marcado por incertezas na economia, provocadas pelo coronavírus, a venda de veículos novos apresentou retração no Rio Grande do Sul. Em 2020, o Estado registrou queda de 27,58% na comercialização de automóveis de passeio e comerciais leves zero-quilômetro, em relação ao desempenho de 2019.


Os dados são do Sincodiv/Fenabrave-RS, que representa concessionárias e distribuidoras gaúchas. Em 2020, houve 105,1 mil emplacamentos de automóveis de passeio e comerciais leves. No ano anterior, foram 145,1 mil.

Apesar da queda anual, o desempenho nos últimos meses sinaliza reação para o setor no Estado. É que, desde maio, os negócios vêm subindo. São oito altas consecutivas em relação ao mês imediatamente anterior.

Dezembro apresentou o melhor resultado em 2020, com elevação de 14,26% frente a novembro. Mas, na comparação com último mês de 2019, houve baixa de 18,84%.

— No início da pandemia, ali por março, abril, imaginava-se que a queda poderia ser superior a 30% no ano. A sequência de altas nos últimos meses trouxe uma retomada, mas ainda de forma mais lenta do que no restante do país — observa o presidente do Sincodiv-RS, Paulo Siqueira.

O economista Raphael Galante, da Oikonomia Consultoria Automotiva, afirma que, em meio à pandemia, incertezas atingiram o consumidor, o que pesou na decisão de adquirir ou não um veículo novo.

— O consumidor de carros no Brasil está sendo um pouco mais racional. Neste momento de incertezas, ele começou a fazer questionamentos como: "Preciso trocar de carro agora?" — avalia Galante.

Para 2021, o cenário indica melhora, conforme Siqueira. A previsão de retomada na economia, ainda que sobre uma base fraca de comparação, tende a ajudar o setor.

— Se não houver um impacto tão grande da pandemia, se a indústria conseguir se reorganizar e se o PIB (Produto Interno Bruto) avançar, imagino um crescimento de pelo menos 20% em automóveis e comerciais leves — diz o dirigente.

Levando-se em conta todas as categorias de veículos, que incluem caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários, a retração nas vendas no Estado, em 2020, ficou em 23,92%, com quase 149,2 mil emplacamentos. Ou seja, 46,9 mil a menos do que em 2019. No recorte geral, o Rio Grande do Sul ocupou a quinta colocação entre os Estados, atrás de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e São Paulo, que lidera o ranking.

Desempenho nacional
Na comparação com o país, a queda na venda de automóveis de passeio e comerciais leves foi ligeiramente maior no Estado. O Brasil registrou 1,9 milhão de emplacamentos em 2020, retração de 26,62% ante 2019.

— A venda de carros sofreu. Ponto. Sofreu. Mas aí você começa a ver que o mercado dos veículos seminovos sofreu menos. Isso é um ponto a se ponderar. Houve uma mudança de consumo — frisa Galante.

Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) corroboram a avaliação do economista. A venda de automóveis de passeio e comerciais leves seminovos e usados caiu 1,84%, em 2020, Estado. No país, o recuo foi de 13,67%.

O presidente da Fenauto, Ilídio Gonçalves dos Santos, avalia que a baixa menos agressiva nos números do setor reflete, em parte, preços reduzidos e negociações com consumidores em busca de verba para quitar outras contas.

— Muita gente resolveu comprar veículos para transitar de forma mais tranquila, com higienização e segurança (em um cenário de pandemia). Outra coisa que aconteceu foi a troca com troco. Ou seja, pessoas que tinham carro seminovo e trocaram por um mais usado para ter recursos de volta e sanar alguns débitos — pontua.

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