Compra de carros usados cresce em 2021 com condições de financiamento mais vantajosas

Carros novos estão em falta no mercado e consumidor procura os usados
O brasileiro resolveu voltar a comprar carro, e o principal alvo são veículos usados. Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), as vendas de automóveis seminovos e usados este ano já superaram em 2,4% aquelas registradas nos dois primeiros meses do ano passado. Somente em fevereiro, foram 13% a mais de negócios fechados em comparação com o mesmo período de 2020.
— Percebemos que o consumidor não abandonou o desejo de comprar, apenas adiou esse desejo enquanto as informações sobre a pandemia ainda eram poucas ou confusas. Na medida em que a situação foi se estabilizando, o consumidor retomou seu desejo de comprar um veículo, até por segurança, pois tinha receio de usar transportes públicos lotados, como o metrô e ônibus, e também veículos de aplicativos — afirma o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos.
A opção por veículos seminovos e usados também é explicada pela falta de carros zero no mercado. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção caiu 31,6% em 2020.
— Hoje, a demanda por veículos é maior que a oferta. Em parte, porque, por problemas de produção, estão sendo lançados no mercado menos veículos novos. Com isso, o consumidor está buscando o usado — afirma Robson Martinho, superintende de Estratégia Digital do Santander.
Apesar do preço dos carros não estarem muito atrativos, as condições de financiamento estão. Os bancos estão facilitando o crédito, os juros estão mais baixos e é possível financiar até 100% do veículo. Com isso, a concessão de crédito cresceu 13% nos primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. E deve continuar crescendo.
— O mercado deve manter um ritmo de crescimento ao longo do ano, impulsionado principalmente pelos segmentos de veículos leves usados e de veículos pesados — afirma Rodnei Bernardino de Souza, diretor do Itaú Unibanco.
Preferência é por carros mais velhos
Os veículos mais velhinhos são os que tiveram maior crescimento na procura. Aqueles com 13 anos de uso ou mais tiveram alta de 34,8% nas vendas. Os maduros, com 9 a 12 anos de uso, 27,7% de aumento. As vendas dos seminovos, com zero a três anos de uso, subiram 9%. A única variação negativa foi na faixa dos usados jovens, com quatro a oito anos de uso: -0,2%. Os usados mais vendidos no mês passado foram Gol, Palio, Uno, Fiesta e Celta, que representaram juntos uma fatia de 26,63% das negociações.
— As vendas seguem tendências do desempenho da economia. No caso do ano passado, com a queda da atividade econômica, o que percebemos foi um movimento maior no que chamamos de “troca com troco”, quando o consumidor troca seu carro por um modelo mais antigo para receber uma parte em dinheiro para quitar dívidas que contraiu durante o período crítico da pandemia — afirma o Ilídio dos Santos.
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