Na Imprensa . 24 Julho 2023
Quem está ansioso para saber se o carro, seja zero ou usado, vai ficar mais barato após a reforma tributária precisa de um pouco mais de paciência.
Apesar das boas expectativas com as mudanças que as novas medidas trarão para a sociedade, ainda é cedo para dizer como elas afetarão o mercado automotivo.
Isso porque existem regras próprias para cada setor que deverão ser definidas mais à frente, depois que o texto principal for aprovado. No segmento de automóveis, por exemplo, as faixas de impostos variam entre 7% e 25% conforme a motorização, portanto é preciso que essas alíquotas sejam definidas para evitar qualquer especulação sobre queda (ou não) dos preços.
O discutido hoje é que essas camadas sejam estabelecidas pelo consumo energético, ou seja, carros que poluem menos, pagam menos. Mas, saindo do campo da especulação, seria necessário esperar ao menos até 2025 para ter alguma definição.
“Tudo vai depender da alíquota de calibração. Ainda não se tem, então trabalhamos com diversos cenários. Em cada um você tem algum segmento que perde e outro que ganha, mas, no geral, não se espera uma redução da carga tributária, mas sim nos gastos administrativos”, afirma Márcio de Lima Leite, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Ou seja, mesmo que seja cedo para discutir valores, o certo é que a reforma tributária vai diminuir a burocracia, e isso é comemorado por fabricantes e economistas. Pelas contas da entidade, 1,2% do faturamento da indústria automotiva é gasto com burocracia tributária, o que giraria em torno de R$ 4 bilhões. “Isso poderia ser revertido em investimento e formação das pessoas”, continua Leite.
Esse também é o ponto de vista principal da professora de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carla Beni sobre o que a reforma tributária trará nesse primeiro momento. “A redução do tempo que você vai perder para poder arrecadar impostos é um ganho de produtividade. Um dos pilares [da reforma] é a simplificação. A arrecadação fica mais simples, a cadeia produtiva vai perder menos tempo. Esse é o grande foco”, diz.
A economista antecipa, no entanto, um cenário positivo para o setor. “Existe a reforma ideal e a possível. Estamos vendo uma extremamente positiva, mas também dentro do possível.”
A associação dos fabricantes também vê na reforma uma porta para investimentos externos. “Nós acreditamos, sim, em aumento dos investimentos, em previsibilidade e amadurecimento do país. De uma forma geral, estamos celebrando a aprovação. Isso é um sinal de amadurecimento do Brasil e da sociedade”, diz o presidente da entidade.
Indefinição também é vista pelo segmento de carros usados. Segundo Alcides Wilhelm, assessor jurídico da Federação dos Revendedores de Veículos Usados (Fenauto), ainda não dá para saber o reflexo que a reforma terá no setor.
“Pela forma que está sendo desenhado o CBS, se o setor de veículos usados não estiver contemplado com a possibilidade de ter créditos presumidos, haverá um aumento significativo nos preços”, disse.
Wilhelm defende que o setor seja tratado de forma diferente do mercado de novos. “Como a PEC 45 que passou está posta, vejo que a carga tributária deve ficar mais alta.”
“Seria importante o segmento pressionar os nossos legisladores para que contemplem alguma forma de tributação diferenciada para evitar um aumento de carga tributária. A gente não pode deixar que a reforma trate todos os contribuintes de forma igualitária, sendo que cada segmento econômico tem as suas particularidades”, conclui.
Na Imprensa . 24 Julho 2023
Após uma sequência de resultados positivos, o mercado de veículos usados desacelerou em junho com relação a maio. Enilson Sales, presidente da Fenauto, que representa as revendas que atuam nesse segmento, admite que a queda na venda de seminovos pode ter sido consequência das medidas adotadas pelo governo federal para facilitar a venda de 0 km.
“Vínhamos em um aquecimento constante mês a mês neste ano, até o anúncio das medidas de desoneração dos carros novos. Esse movimento pode ter levado os consumidores a optarem pela compra do zero em detrimento dos seminovos e demais veículos usados”, comentou o executivo ao divulgar o balanço mensal e semestral do setor.
A venda de seminovos, aqueles com até três anos de uso, limitou-se a 216,3 mil unidades em junho, um recuo de 6,2% sobre maio (230,5 mil). O mercado de usados em geral, incluindo veículos leves, pesados e motos, totalizou 1.175.174 unidades no mês passado, contra 1.274.333 no anterior (redução de 7,8%).
Entre outros fatores que contribuíram para o resultado negativo, o presidente da Fenauto também cita as festas juninas no Nordeste, que tradicionalmente desaquecem o comércio na região. Avalia, contudo, que o mercado de usados vai se recuperar já neste mês diante do término da verba destinada ao segmento de novos:
“O mercado deve se ajustar rapidamente aos moldes anteriores a essas medidas, levando o consumidor a procurar opções de seminovos e usados dentro de suas condições de pagamento, como ocorria antes”.
O governo liberou R$ 800 milhões em créditos para que as montadoras oferecessem descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil para os carros 0 km com preço até R$ 120 mil. Ainda há veículos em estoque para aquisição com benefícios, mas não haverá mais oferta de novos produtos por parte dos fabricantes.
Apesar da desaceleração do mercado de usados em junho, no acumulado do ano os dados são positivos. Foram comercializados 6.851.087 veículos do gênero, 13,7% a mais do que no primeiro semestre do ano passado.
Entre os veículos usados mais vendidos em junho, o VW Gol lidera com 61.037 unidades. a sequência vem Fiat Uno (34.700 unidades), e Fiat Palio (33.077). No segmento de comerciais leves a Fiat Strada é líder, com 26.139 transações, seguida da VW Saveiro (18.099) e Chevrolet S10 (12.926).
Fonte: Autoindustria
Na Imprensa . 24 Julho 2023
Em junho, enquanto os carros novos ficaram 2,76% mais baratos com os incentivos do governo, o preço dos veículos usados caiu 0,93%.
A baixa dos zero-km resultou no maior impacto individual para a deflação apurada no mês, de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Lucas Gerez, economista do Data OLX Autos, braço de análise da plataforma de vendas online, revela que os resultados da inflação constatam os reflexos no mercado de usados. “Notou-se uma redução nos preços dos seminovos, porém em menor intensidade quando comparados com os veículos zero-quilômetro”, afirma ele.
O presidente da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), Enilson Sales, destaca que o movimento atingiu especificamente os seminovos do mesmo segmento do programa e apenas intensificou a tendência de queda dos preços apurada desde fevereiro pelo IPCA.
"O programa meteórico do governo impactou, durante o período em que vigorou, os carros do mesmo segmento e que competiam com os zero-quilômetro contemplados, aqueles com preço abaixo de R$ 120 mil, que tinham peças e um percentual de nacionalização e eram movidos a etanol", diz Sales.
Ao comparar os anúncios de três dos modelos líderes em desconto, o impacto é mais evidente. Os modelos novos do Renault Kwid, Fiat Argo e Fiat Mobi apresentaram redução de, respectivamente, R$ 8.000 (-13%), R$ 6.900 (-10%) e R$ 4.510 (-7%) com os estímulos fornecidos pelo governo no mês de junho.
De acordo com os números da Data OLX Autos, o preço dos modelos de 2022 do Kwid caiu 2% entre os vendedores profissionais e 3% entre os demais anunciantes. Em ambos os casos, a redução foi de R$ 1.000.
No caso do Argo, a queda foi de 2% em anúncios profissionais (-R$ 1.600) e de 1% (-R$ 730) no grupo que inclui as pessoas físicas. O impacto é semelhante ao apurado no valor do Mobi, que apresentou reduções de 3% (-R$ 1.600) e 2% (-R$ 1.080), respectivamente.
Sobre os modelos usados, o presidente da Fenauto explica que o segmento tem menor sensibilidade aos preços e, por isso, não refletiu os incentivos do governo. "O mercado de velhinhos, formado por veículos com mais de 13 anos de fabricação, basicamente não foi afetado, tanto em preço quanto em volume de vendas", analisa.
Para Gerez, no entanto, o mercado de seminovos e usados ainda pode sentir a redução de preços, a depender das características dos veículos e de peculiaridades regionais. “Esse segmento pode ficar mais aquecido nos próximos meses, com consumidores considerando comprar veículos mais novos”, prevê o economista do Data OLX Autos.
Fonte: R7